Mitos & Verdades em Recarga de Munição

 

 

 

Quem pratica o esporte tiro em suas várias modalidades, Tiro Esportivo, Tiro Prático ou Tiro Defensivo e mesmo a CAÇA, onde e quando autorizado, precisa recarregar sua própria munição.

 

 

Primeiro, porque sai mais em conta. Lembram quando comprá¡vamos refrigerantes e tí­nhamos de devolver o casco de vidro, antes das famigeradas garrafas PET?

Pois é, no caso, por exemplo, de armas curtas (revólveres e pistolas) recolhemos os estojos (cartuchos) após o tiro e o recarregamos, o que sai mais em conta. Afinal, num treino, damos uma média de 300 tiros e em competições, quase isso. Comprar munição pronta seria proibitivo pelo alto custo.

Lembre-se que o Brasil é o paí­s da maracutaia, dos monopólios e de muitos jeitinhos. Temos apenas UMA fábrica de munição, logo...  

Cursos de Recarga de Munição, nuca vi. Alguns Clubes promovem seminários e clí­nicas e o meu, CMVM, teve uma clíínica ministrada pelo atirador Leonam, com experiência de mais de 30 anos em recarga.

Um dos muitos mitos que ouvi ao voltar para o tiro há uns 4 anos (interrompera nos anos 80 pelo alto custo da brincadeira) foi que os cartuchos CBC eram de má qualidade para impedir a recarga e que não duravam mais de 3 ou 4 reaproveitamentos. Mito!

Uso apenas calibre .40 SW, pois facilita ter as armas todas em um mesmo calibre. E, como é um calibre usado pelas polí­cias tanto civis como militares, quando iniciei na recarga, comprava de amigos, cartuchos que eram recolhidos de estandes de policias e muitos, vinham pretos, enegrecidos de velhos e por estarem no chão muito tempo, expostos às intempéries.

Assim, comecei com 500 cartuchos. E, pasmem, continuam em uso. Tenho um saco de 500 novos que comprei direto da CBC e estão no cofre. Nunca os usei. Comprei porque disseram que estes não iam durar... Talvez uns 4 ou 5 tenham rachado e foram descartados nestes quatro anos.  

Como se explica isso? Provavelmente falta de capricho de quem falou...

Os enegrecidos, clareei com um produto chamado"limpa latão". Depois, como ficam foscos, coloco no tamboreador "Rola-rola" usado por joalheiros para dar brilho e eles ficam como novos (ver foto).

 

 

Após o tiro, desespoleto (retiro a espoleta) e coloco numa máquina ultrassônica para limpeza. Depois, vai para o "Rola-rola" para dar o acabamento.  

 

 

Então, se não existem cursos e poucas literaturas, como comecei a fazer recarga em segurança?

 

 

Acho que como todo mundo. No iná­cio, perguntei a vários colegas quanto usavam de pólvora, que tipo de pólvora e tipo e peso de ponta (de chumbo).

Depois, fui testando e fazendo meus ajustes.

Por exemplo, até o calibre .38 ou .380 ACP, usam a pólvora CBC 216. Calibres maiores, 40 e 45, meus amigos usam CBC 219 e a CBC recomenda CBC 221 ou 207 (que nem conheço) com 7.0 grains.


Todas as pólvoras fabricadas pela CBC são de base simples (nitrocelulósicas) e produzidas com tecnologia própria e equipamentos de ponta. E ou essa tal de 221/207 é muito pesada, para caber no cartucho com 7.0 grains ou nem sei, pois uso 4.2 grains da CBC 216 e o estojo de calibre .40 fica quase cheio, sem muito espaço para expansão antes de expulsar o projétil.

Quanto a dizer que pólvora CBC 216 não pode ser usada em calibres restritos (40 SW) não procede, pois, passada no cronógrafo, consigo fator até mais alto (127.000) que o necessário para minha Divisão no Tiro Defensivo. A 216 não é proibida, ela não é recomendada por ser de queima mais rápida e para os calibres com quantidades maiores pode prejudicar a precisão do tiro.

OBS.: Há diversos fabricantes de pólvora no Brasil. Uso a CBC porque facilita comprar espoletas (monopólio CBC) e pólvoras de apenas um fornecedor.

Pontas de chumbo macio recobertas de teflon (para não chumbar os canos), prefiro pela alta qualidade - os da MQ Bullets de Pernambuco. (http://www.mqbullets.com.br/)

Do site da CBC (http://www.cbc.com.br/polvoras-subcat-21.html) temos:

ERROS DE PROCEDIMENTOS QUE PODEM CAUSAR ACIDENTES NA ATIVIDADE DE RECARGA

  • Leitura errada, nos manuais ou anotações, dos dados relativos à  recarga a ser efetuada.
  • Uso de dados de carga errados, como decorrência de erro na identificação do cartucho a ser recarregado.
  • Uso de pólvora inadequada.
  • Troca de tipo ou marca de pólvora ou espoleta e peso de projéteis.
  • Ajustagem incorreta da balança ou dosador da pólvora.
  • Balança ou dosador sujos ou com defeitos, ocasionando carga de pólvora incorreta ou imprecisas.
  • Uso de pólvora sem fumaça em armas destinadas ao uso de pólvora negra.
  • Mistura intencional ou acidental de pólvoras;.
  • Recarregar estojos reconhecidamente corroí­dos, com rachaduras, furos ou outros defeitos.
  • Continuar a usar cargas que, quando atiradas, mostram evidentes sinais de excesso de pressão (espoleta achatada, escape de gás pela culatra, funcionamento anormal da arma, etc.).
  • Desenvolver cargas de alta pressão, sem auxí­lio de equipamentos para medir a pressão desenvolvida.
  • Não verificar o total esvaziamento do funil de pólvora (tipos não transparentes).
  • Nã£o verificar os procedimentos para verificação se, em algum cartucho, falta carga de pólvora ou se nele foi colocada uma dupla-carga.

 

DICAS DE COMO FAZER UMA RECARGA SEGURA

Toda atividade humana tem uma certa dose de risco, para serem seguras, precisam ser exercidas observando-se as normas básicas de segurança. Da mesma forma, a recarga de cartuchos pode ser considerada uma atividade segura, desde que essas normas ou princípios básicos de segurança sejam rigorosamente observados.

  1. Não fumar ou manter qualquer tipo de chama aberta, ou aparelho ou instrumento que possam gerar faíscas, junto à área onde estiver sendo procedida a recarga.
  2. Antes e durante a sessão de recarga, não fazer uso de bebidas alcoólicas, de intoxicantes ou de qualquer outro produto (mesmo remédio) que possa reduzir a sua capacidade de raciocí­nio, atenção, reação, coordenação, etc.
  3. Manter-se alerta e atento durante a recarga. Evite qualquer tipo de atividade paralela que possa distrair sua atenção. Não recarregue quando estiver cansado ou concentrado em problemas que possam torná-lo distraído ou desatento.
  4. Usar óculos de segurança.
  5. Manter as crianças afastadas do local da recarga.
  6. Manter seus componentes de recarga perfeitamente identificados e, sempre que possí­vel, em sua embalagens originais (especialmente pólvoras e espoletas).
  7. Não confie em sua memória. Consulte sempre tabelas e livros de recarga e mantenha um livro com anotações de tudo aquilo que fizer, dos problemas que encontrou, das soluções adotadas, etc.
  8. Não trabalhar com mais de calibre ou tipo de carga ao mesmo tempo.
  9. Manter sua mesa ou bancada de recarga sempre arrumada, limpa e somente com os componentes que serão usados (em tipo e quantidade). Nunca mantenha mais de um tipo de pólvora na mesa de recarga.
  10. Conferir e reconferir todas as fases de recarga de forma a evitar erros.
  11. Desenvolver um procedimento correto para a recarga e, sempre que possí­vel mantenha-o inalterado.
  12. Sempre que mudar algum componente da carga (em especial lote da pólvora ou marca da espoleta), teste os novos cartuchos, reduzindo as primeiras cargas, em pelo menos 10% da quantidade de pólvora.
  13. Nunca utilizar pólvoras não identificadas ou cujas caracterí­sticas não sejam conhecidas.
  14. Não utilizar dados de recarga (em especial carga de pólvora) que não tenham sido testados e aprovados por fontes idôneas.

 

Saiba como identificar as Munições Originais CBC:

MUNIÇÔES PARA REVÓLVERES E PISTOLAS

As munições para pistolas e revólveres CBC são caracterizadas por possuí­rem espoleta com cápsula fabricada em latão na cor dourada; nessa cápsula é estampada em baixo relevo a letra "V" para favorecer uma identificação fácil e rápida das munições originais de fábrica. As munições CBC para revólveres e pistolas são fornecidas aos atiradores e clubes de tiro em caixeta de papelão contendo 50 unidades.

 

CARTUCHOS DE COMPETIÇÃO

Os cartuchos originais de fábrica são fornecidos com espoletas niqueladas sem nenhuma gravação. Essa diferenciação protege os consumidores, evitando que eles sejam expostos aos riscos da utilização de munição recarregada por pessoas não habilitadas para a prestação desse serviço. A CBC fornece, para venda avulsa, as espoletas 209, que são utilizadas para a recarga de cartuchos, marcadas com a letra "R" (Recarga). Isso visa facilitar a identificação dos cartuchos originais de fábrica quando comparados com os cartuchos recarregados. Os cartuchos de competição CBC são fornecidos aos atiradores e clubes de tiro em caixeta de papelão contendo 25 unidades.

 

Não arrisque suas mãos, seus olhos, sua vida. Não utilize munição recarregada por terceiros.

 

 AVISO: Recarga de Munição e Tiro Esportivo, são regulados pela Portaria 01-COLOG de 16 Jan 2015 para CAC's (Caçadores, Atiradores e Colecionadores) - Sem um CR (Certificado de Registro) do Exército dentro da validade e com autorização (apostilamento) de Recarga, é crime.  Nota do Autor


 

Joomlashack