Os detectores de metais se multiplicaram após os primeiros sequestros e atentados a aviões e hoje infestam as entradas de bancos do país e do mundo. Quem já não tentou entrar em uma agência bancária e o dispositivo o obrigou a voltar várias vezes esvaziando os bolsos? E nos embarques de aeroportos, onde já me obrigaram a tirar os cintos das calças? Bem, tudo isso fica ultrapassado quando os bandidos usarem uma arma de fogo inteiramente de plástico como esta reportagem mostra. As autoridades não investem em si mesmo, nas polícias e tudo tende a se acomodar. Menos os marginais.

Nota do Editor

 

Chamada de “Liberator”, pistola será compatível com munição convencional

RIO — O universitário americano de 25 anos Cody Wilson, criador do grupo Defense Distributed, promete disponibilizar na internet, na próxima semana, o primeiro projeto de arma de fogo totalmente imprimível em 3D. A polêmica ideia surgiu há quase um ano, quando a organização sem fins lucrativos foi fundada. Até então, o grupo só havia conseguido produzir cartuchos e outras peças para armas tradicionais, além de 

. Nesta sexta-feira, no entanto, Wilson, estudante de Direito da Universidade do Texas, revelou à revista “Forbes” que planeja publicar na internet um projeto de pistola de plástico nos próximos dias.

A arma — chamada de “Liberator” — é composta por 16 peças de plástico e é capaz de disparar cartuchos convencionais de pistola. Os componentes serão publicados em arquivos CAD. O protótipo foi produzidos utilizando uma impressora Dimension SST, abastecida com plástico ABS.

É o passo mais ousado do controverso projeto, fundado em agosto de 2012. Desde que foi criado, o Defense Distributed provocou reações em diversos setores. A fabricante de impressoras Stratasys chegou a apreender, em outubro, um aparelho que havia sido alugado para a organização, após descobrir para quais fins o produto estava sendo utilizado. Também por causa da movimentação do grupo, o deputado Steve Israel resolveu propor uma alteração na legislação sobre o tema, para regulamentar especificamente as armas impressas em 3D.

Para evitar problemas legais, Cody Wilson afirma que o projeto original da “Liberator” prevê a inclusão de um pedaço de aço, inserido apenas para que a pistola possa ser percebida por detectores de metais, como prevê a lei americana. No entanto, após o arquivo ser disponibilizado para download, eventuais entusiastas podem simplesmente suprimir essa peça adicional. Uma arma de plástico, discreta, potencialmente invisível aos detectores (caso algum montador caseiro não insira a peça de metal existente no protótipo), sem número serial, porém letal, compatível com munição convencional.

— Todos falam da revolução da impressão 3D. Bem, o que poderia acontecer se todos tivessem meios de produção? Estou interessado em ver o potencial dessa ferramenta. Será que ela consegue imprimir uma arma? — disse Wilson à “Forbes”.

Na tarde desta sexta-feira, o deputado Steve Israel publicou um comunicado, repudiando a ideia antes mesmo da publicação dos arquivos. Para o parlamentar, que representa o estado de Nova York, é preciso banir todo tipo de armas letais de plástico.

“Checkpoints de segurança, checagem de antecedentes e regulação de armas terão pouco efeito se criminosos puderem imprimir armas de plástico em casa e passá-las por detectores de metal sem ninguém perceber”, argumenta o deputado, no texto enviado à imprensa americana.

Em março, o Defense Distributed obteve licença federal para produção de armas de fogo. Desde então, a organização é uma fabricante legalizada. Os ideais do grupo são baseados na criptoanarquia e na defesa da liberdade do acesso à informação:

“Se realmente acreditamos que a informação deve ser livre, e que sociedades que compartilham são superiores a sociedades que censuram, então por que não armas? Liberdade de informação tem consequências materiais e descentralizadas. E isso é algo bom”, defendem os fundadores, em um texto de apresentação publicado no site oficial.




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